A Geografia do Trabalho: Como adaptamos nosso espaço em tempos de mudança.
Ou o que a organização da nossa mesa revela sobre nós
Estou olhando para a minha mesa de trabalho e estudo. Ela não está como antes: o móvel, a cadeira, a iluminação, o ambiente, o local… Nada disso é o que estou acostumada a usar. Uma mudança repentina na minha situação habitual me obrigou a mudar o local da minha estadia. Foi que eu tive que testar a minha resiliência e aprender algumas novas lições sobre organização e caos.
O Desafio da Adaptação
Repentinamente, e por motivos que não cabem a este texto, tive que me mudar para um local em que não poderia usar toda a minha estrutura habitual, ou seja, precisava selecionar o que poderia levar comigo ou deixar temporariamente em minha antiga residência. Meu sistema de cadernos, meu notebook e o seu suporte, mouse, teclado, canetas, cabos de dados, um quadro branco para anotações, garrafinha e copo para água, ring light, fone de ouvido, carregadores, filtro de linha, HDs externos, luminária, livros que estão no topo da minha lista de leitura, dentre outras coisas. Tudo isso além das minhas coisas pessoais. E não pude levar o meu mural de anotações porque não tinha como colocá-lo na parede. Montar tudo e priorizar foi bem complicado… A vantagem do espaço novo ser velho conhecido é que eu sabia o que poderia funcionar na nova dinâmica ou não, então consegui me instalar em poucas horas, apesar de ter levado seis dias para arrumar, organizar, embalar e encaixotar tudo. Pelo menos inicialmente.
Quando a rotina encontra o imprevisto
Ao começar a usar a arrumação nova, os problemas começaram. Não sabia onde nada estava na casa que retornei. Nem a dinâmica da família que me recebeu. Mal sabia onde estavam as coisas, o que me atrasou bastante. Subestimei minha capacidade de me arrumar e atrasei o início de um retorno de caminhada que estava adiando demais. Minha vontade de ver o mar (estou alocada perto da praia) fez com que eu levasse o dobro do tempo que havia programado. A dinâmica familiar me fez tomar café muito tarde e atrasar ainda mais meu primeiro compromisso, o que levou a uma bola de neve durante todo o dia. Como o local não tinha uma cadeira para o espaço que eu usaria para trabalhar, ela teve que ser improvisada, ou seja, deslocar uma de sua função original (varanda), para o meu uso (escritório). Pelo menos foi menos desconfortável do que achei que seria. No entanto, ao usar meu notebook, descobri dois problemas adicionais. Eu havia levado um suporte para deixá-lo mais elevado e abrigar os cadernos que mais uso e meu teclado, mas tive que mudar toda a arrumação porque não contava com a diferença entre a mesa e a prateleira de cima. Resolvi. Liguei meu dispositivo. Tentei digitar, mas não saía nada, só no nativo. Meu dispositivo não funcionava. Tirei a pilha, removi e coloquei o conector na entrada USB. Nada. Desisti e usei o nativo mesmo. Afinal, havia esquecido a pilha reserva. Haviam me prometido que a garrafinha que trouxe mantinha a água pelo menos fria, mas não me avisaram que isso era só em ambientes com ar-condicionado.
Resultado: minha nova estação de trabalho está um caos. Minha rotina programada também já começou assim. Meu dia como um todo já começou bagunçado.
Só que me ensinaram a também ver o lado bom das coisas. Neste caso, pensar em como resolver esses problemas. Já lembrei de organizadores, como cestinhas e caixas para substituir tanto o que eu tenho que não está mais legal, quanto para organizar melhor meu espaço atual. Depois, em um quadro branco magnético, pequeno, para escrever ideias e prender post-its com um imã. Só que eu trouxe um quadro branco pequeno, não magnético. Claro, preciso descobrir se a casa em que estou agora possui carregador de pilhas, além de uma AAA, para eu descobrir se meu teclado ainda está vivo ou se, de repente, ele “aprendeu a dizer adeus” de repente e eu tinha que deixá-lo ir. Logo agora, mas tudo bem.
A lição por trás da desordem
O fato é: nossa mesa de trabalho é algo fluido, um microssistema que se adapta a nossa realidade. Às vezes teremos um espaço físico maior, às vezes um menor. Mas a nossa mente sempre “dá um jeitinho” para se organizar dentro das adversidades. Assim como enquanto estamos trabalhando: papel para um lado, caneta para o outro, teclado e mouse aqui, grampos acolá, uma garrafinha ali no canto, um computador (ou um notebook), muitos pensamentos, histórias, contas, decisões e execuções de atividades. Ao final do dia, juntamos e arrumamos tudo e deixamos tudo pronto para o dia seguinte. No entanto, se nossa vida está um caos, que nem sempre é causado por nossas ações diretas, nossa estação reflete isso: organizar fica mais difícil, pensar e executar as tarefas torna-se complicado, as decisões ficam nubladas, até olhar para sua própria estação traz angústia. Neste caso, é preciso dar um tempo, refletir, recalibrar e, só então, recomeçar.
Se a sua mesa de trabalho falasse sobre o seu estado de espírito hoje, qual história ela estaria contando?
Quem sou eu: Formada em Relações Públicas, com MBA em Gestão de Processos e especialização em Escrita Criativa e Editoração, sou redatora e produtora de conteúdo. Possuo dois projetos: transformar os pensamentos e os sentimentos em falas literárias, como no blog “Chave Escrita”, e o cotidiano em prosa mais corporativa, por aqui.


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